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Sobre

Os Jardins Efémeros (JE) são uma plataforma cultural multidisciplinar com sede em Viseu. Apresentam uma forte componente experimental, com objectivo de potenciar a relação entre artistas, curadores, investigadores, universidades, associações culturais, sociais, de comércio, turísticas, empresas, museus, escolas, município, residentes e visitantes.

As relações estabelecidas entre os diferentes agentes poderão materializar-se em projectos específicos e resultantes dos JE e devem servir como ponto de partida para realizações futuras desenvolvidas pelos diferentes agentes.

A utilização dos espaços icónicos como a Sé, a Igreja da Misericórdia, museus, capelas, edifícios públicos e privados, edifícios devolutos, jardins, logradouros, praças e ancorados no centro histórico possibilitam aos cidadãos uma experiência singular. Os concertos, as exposições, as performances e outras actividades culturais propostas têm como objectivo sensibilizar a população e os visitantes para a cidadania e valorização do património, respeitando-o profundamente.

A nossa programação é inclusiva, oferecendo aos viseenses e a todos os que nos visitam eventos gratuitos e em espaço público, aos quais habitualmente não têm acesso.

A experimentação como expressão de liberdade criativa e crítica é um valor do qual não abdicamos. Uma ferramenta potenciadora de dinâmicas inovadoras do pensamento individual e colectivo.

Nos JE somos integradores. As associações locais, artistas e empresas são convidados a conceber novas formas de colaboração através de práticas artísticas e da educação pela arte. O programa promove a reflexão em torno de valores como a cidadania activa e a arquitectura social, potenciando a capacidade crítica e imaginativa, distribuída pelas várias áreas de intervenção propostas.

Promovemos a transformação criativa e uma nova percepção da cidade. Uma relação estreita entre criadores locais, nacionais e internacionais, o estabelecimento de colaborações entre o sector público e privado, nas mais diversas áreas que promovem a invenção/reinvenção de redes diversas.

O levantamento, mesmo que temporário, de uma nova ideia de jardim em praças onde impera o granito, reafirma o carácter inovador, integrador e diferenciador dos JE. Produção cultural de excelência e capacidade transformadora da paisagem do Centro Histórico de Viseu.

Uma forte componente multidisciplinar – Artes Visuais, Arquitectura, Cinema, Som, Dança, Teatro, Pólis, Mercados e Oficinas, alicerçados numa cuidada direcção artística que se manifesta numa programação de carácter urbano, contemporâneo e experimental.

Na sua VIII edição, os Jardins Efémeros são já uma marca da cidade, tendo vindo a afirmar-se como uma das produções culturais mais singulares, com reconhecimento nacional e internacional. O seu formato original foi concebido para a cidade de Viseu e a sua configuração multidisciplinar e experimental não tem outro projecto comparável em Portugal.

Inscrições Oficinas

PROFESSORES E INSTITUIÇÕES DO DISTRITO DE VISEU COM SERVIÇO EDUCATIVO

Estão abertas as inscrições para o programa exclusivo de oficinas para escolas, ATL’s e instituições sociais com serviço educativo.

Para receber informações sobre as oficinas exclusivas para grupos escolares e sobre os procedimentos necessários para realizar as inscrições contacte-nos através do email: jardinsefemeros.oficinas@gmail.com ou presencialmente na nossa sede: Rua Senhora da Boa Morte, n.º 18, Viseu.

Horário: 10h00 > 13h00 e 14h00 > 19h00

As inscrições para o público geral abrem apenas no dia 1 de Junho.

Mais informações brevemente disponíveis.

O corpo 2018

Corpo: Objecto e sujeito; individual e universal; o que é/faz um corpo? Como o habitamos?

 

Na interface entre a realidade externa e interna do corpo, entre a experiência e a percepção de espaços, movimentos e encontros entre corpos, a linguagem permite-nos projectar e captar intencionalidade na relação com o mundo — habitamos. Comunicamos, envolvemo-nos e co-habitamos. Movimentamo-nos em grupo e integramos um «corpo» colectivo.

Enquanto matéria circunscrita, o corpo distingue o «eu» do «outro». Mas movido entre e por pulsões, entre um impulso que o precede e em direcção ao qual se dirige, o corpo expande-se e contrai-se, liberta-se de todas as obrigações de um organismo. É deformado até ao limite de elasticidade física. Em esforço, demonstra a sua força e vulnerabilidade. Transita entre intervalos, vazios, habita um espaço remanescente, que contém e condensa em si. Manipula os limites da sua própria auto-consciência. Proporciona conhecimento, mas também ignorância.

Carregado de simbolismo, o corpo contempla uma ampla gama de significados, muitas vezes controversos, em constante transformação. Altamente polarizado, é alvo de preconceito e discriminação. É objecto de intervenção do Estado. É recurso e capital económico, social e cultural. Está sob constante vigilância, digitalização e análise. É instrumentalizado. De acordo com pré-concepções sobre o corpo, as relações sociais, instituições e ideologias impõem, categorizam, por vezes dominam, e transformam fisicamente os corpos que tutelam, assim como os seus comportamentos. Numa tensão permanente entre os mecanismos de poder e técnicas de resistência, o corpo denuncia abusos, ambivalências e contradições. Afinal, a quem pertence o corpo? Ao indivíduo? Ao Estado? À sociedade?

Exibindo-se, os corpos procuram recuperar o seu domínio e liberdade. Nunca o corpo humano foi tão visível. As representações desta omnipresença e multiplicidade são potenciadas e amplificadas pelas novas tecnologias digitais e práticas globalizadas, como a partilha pública de actividades, interacções, aquisições, conversações e migrações.

Mas nem todos os corpos são igualmente visíveis. Certos corpos são híper-expostos, enquanto outros desaparecem, escapam à cultura popular ou não querem ser vistos. Nenhum se mostra na íntegra. Alguns são claramente menos reconhecidos, se não marginalizados. Muitos lutam pela sua dignidade. Todos participam das políticas de diferença. Instigam ou combatem a proliferação de reivindicações baseadas na sexualidade, religião, etnia e nacionalidade. Colidem. Latentes nos registos concretos e finitos dos movimentos do seu combate, igualmente presos a uma temporalidade cujo devir deteriora, procuram superar e ultrapassar os seus limites e os que lhes são impostos. Elegem e repetem os mais banais e insignificantes gestos do quotidiano como exorcismo dos gestos contidos. Em periclitante desequilíbrio, (re)inventam-se e participam na construção das suas identidades. Desejam, receiam, violentam, pacificam, amam, criam.

O corpo como veículo de discursos artísticos.

Corpos, sejam bem-vindos.