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INCLUSÕES#2

Artes Visuais
Luísa Soares
INCLUSÕES2 BW
Local
Sede Jardins Efémeros, Rua do Comércio, 118

Este trabalho dá corpo físico a uma ideia latente que me acompanha há já algum tempo e que tem sempre como ponto de partida a ideia do resto fragmentado, deteriorado, corroído e carcomido. Daquilo que ficou, sozinho, no silêncio, esquecido ou preterido.

Aquilo que foi, mas que já não o é mais.

Interessa-me olhar, pegar e pensar nos restos, na memória que existe num pedaço de argila cozida vidrada e incrustada numa parede, que olhou os séculos por onde nós vamos passando.

Do mesmo modo olho e colecciono fragmentos daquilo que foram outrora moldes de

peças, numa cerâmica industrial desactivada. Hoje, são um monte de cacos corroídos pela chuva, onde apenas se vislumbram formas e volumes de estatuárias idas e que a já ninguém interessam. O seu tempo já passou.

Quando é mais o que fica e já foi, do que aquilo que é, sente-se a urgência de olhar o agora à luz do que somos.

Hoje.

Um amontoado de cacos partidos, frios, desordenados e quietos.

À espera.

Sem ligação imediata e inequívoca, onde se sabe que começa um e termina o outro, onde não há dúvidas de pertenças.

Dispersamos.

Estamos.

Esperamos.

Vemos em câmara lenta, quadro sobre quadro. Um país que se ausenta de existir, de ser, de querer.

E esperamos.

Vemos quem parte e ficamos. À espera.

Como presos em parcelas modulares, ortogonais, claras e repetidas.

Módulos ordenados e dispostos em ordem concreta, enfileirados num qualquer tabuleiro.

Que nos prendem os pés.

Pés de barro que se transformaram em gesso.

Estes tantos pés que têm urgência absoluta em caminhar e correr.

Esperamos?

 

Luísa Soares

 

 

As peças foram produzidas a partir de uma recolha visual mas também física de tipos distintos de produção em série. Neste caso, o ponto de partida foi a recolha de alguns moldes de estatuária cerâmica que se encontram em franca deterioração numa antiga cerâmica industrial de grandes dimensões.

Estes fragmentos cerâmicos são reflexo de um passado que ficou para trás, de onde

sobram cacos amontoados num destroço fabril. A ideia de olhar o passado através destas peças e, com elas, olhar o presente está contida neste trabalho. São objectos simbólicos duma produção que não existe, numa analogia concreta ao estado das coisas hoje em dia, a forma como encaramos o presente e o que nos propomos a fazer para sermos futuro.

 

Há neste trabalho uma reinterpretação da matéria. No que respeita aos fragmentos de moldes, foram produzidas algumas peças a partir dos pedaços de moldes de gesso de estatuária diversa. Estas peças foram realizadas em porcelana e cozidas (chacotadas). Após a primeira fase do processo, todos os fragmentos cerâmicos foram “enclausurados” numa cama de gesso, criando para cada um dos painéis um módulo base. Na sua montagem a ordem é assumidamente aleatória, enfatizando a ideia da desordem formal a partir de um módulo base.

 

 

DIMENSÕES | 178,4×178,4cm

 

TÉCNICA MISTA | Porcelana e Gesso

 

 

+info

www.luisa–soares.blogspot.pt

 

 

 

INCLUSÕES2 BW

Este trabalho dá corpo físico a uma ideia latente que me acompanha há já algum tempo e que tem sempre como ponto de partida a ideia do resto fragmentado, deteriorado, corroído e carcomido. Daquilo que ficou, sozinho, no silêncio, esquecido ou preterido.

Aquilo que foi, mas que já não o é mais.

Interessa-me olhar, pegar e pensar nos restos, na memória que existe num pedaço de argila cozida vidrada e incrustada numa parede, que olhou os séculos por onde nós vamos passando.

Do mesmo modo olho e colecciono fragmentos daquilo que foram outrora moldes de

peças, numa cerâmica industrial desactivada. Hoje, são um monte de cacos corroídos pela chuva, onde apenas se vislumbram formas e volumes de estatuárias idas e que a já ninguém interessam. O seu tempo já passou.

Quando é mais o que fica e já foi, do que aquilo que é, sente-se a urgência de olhar o agora à luz do que somos.

Hoje.

Um amontoado de cacos partidos, frios, desordenados e quietos.

À espera.

Sem ligação imediata e inequívoca, onde se sabe que começa um e termina o outro, onde não há dúvidas de pertenças.

Dispersamos.

Estamos.

Esperamos.

Vemos em câmara lenta, quadro sobre quadro. Um país que se ausenta de existir, de ser, de querer.

E esperamos.

Vemos quem parte e ficamos. À espera.

Como presos em parcelas modulares, ortogonais, claras e repetidas.

Módulos ordenados e dispostos em ordem concreta, enfileirados num qualquer tabuleiro.

Que nos prendem os pés.

Pés de barro que se transformaram em gesso.

Estes tantos pés que têm urgência absoluta em caminhar e correr.

Esperamos?

 

Luísa Soares

 

 

As peças foram produzidas a partir de uma recolha visual mas também física de tipos distintos de produção em série. Neste caso, o ponto de partida foi a recolha de alguns moldes de estatuária cerâmica que se encontram em franca deterioração numa antiga cerâmica industrial de grandes dimensões.

Estes fragmentos cerâmicos são reflexo de um passado que ficou para trás, de onde

sobram cacos amontoados num destroço fabril. A ideia de olhar o passado através destas peças e, com elas, olhar o presente está contida neste trabalho. São objectos simbólicos duma produção que não existe, numa analogia concreta ao estado das coisas hoje em dia, a forma como encaramos o presente e o que nos propomos a fazer para sermos futuro.

 

Há neste trabalho uma reinterpretação da matéria. No que respeita aos fragmentos de moldes, foram produzidas algumas peças a partir dos pedaços de moldes de gesso de estatuária diversa. Estas peças foram realizadas em porcelana e cozidas (chacotadas). Após a primeira fase do processo, todos os fragmentos cerâmicos foram “enclausurados” numa cama de gesso, criando para cada um dos painéis um módulo base. Na sua montagem a ordem é assumidamente aleatória, enfatizando a ideia da desordem formal a partir de um módulo base.

 

 

DIMENSÕES | 178,4×178,4cm

 

TÉCNICA MISTA | Porcelana e Gesso

 

 

+info

www.luisa–soares.blogspot.pt